Inicio BICHOS NO SÓTÃO Cada objeto banal tem um inventor genial

Cada objeto banal tem um inventor genial

-

Chesterman, Hinchliffe, Judson ou Sundbäck não inventaram a pólvora, o automóvel, o computador ou o telescópio. O que eles e tantos outros criaram são objetos simples, mas nem por isso menos importantes. Já imaginaram como seria o nosso dia-a-dia sem o fecho de correr, a carica, a tesoura ou carrinho de supermercado? De tão entranhados que estão nos nossos hábitos, temos a sensação que existem desde sempre. E não é nada assim. Cada objeto destes é uma criação de alguém tão genial que transformou para sempre o nosso quotidiano. Os Bichos no Sótão escolheram 15 inventos para prestar homenagem a estes grandes inventores que todos os dias tornam a nossa vida muito mais fácil.

 

 

 

 

fecho de correr

Whitcomb L. Judson foi o engenheiro americano que inventou o primeiro fecho de correr, em 1891. O engenho tinha uma série de ganchos que se prendiam a pequenas argolas usados para fechar sapatos e sacos do correio. O problema é que esses ganchos se desprendiam com facilidade. Um problema resolvido em 1907 por Gideon Sundbäck, que substituiu os ganchos e as argolas por duas bandas de dentes metálicos. E assim nasceu o fecho éclair.

Colher de pau

Foi inventada pelos egípcios mais de mil anos antes de Cristo nascer e servia para preparar pomadas e outras mezinhas medicinais. Foi com a Revolução Industrial, algures nos finais do século 19, que começaram a ser fabricadas em série. Os escandinavos foram os principais responsáveis por espalhar o seu uso pelo mundo. Uma das marcas mais conhecida, aliás, está sedeada na Dinamarca, a Scanwood, fundada em 1919.

Saca-rolhas 

Quando se tem uma garrafa de vinho e nada para a abrir, o resultado é o desespero ou então uma ideia genial. Conta-se que foram os soldados de Napoleão que inventaram o primeiro saca-rolhas, usando um instrumento em espiral utilizado para limpar mosquetes. Essa foi depois a inspiração para Samuel Henshall, nascido em Oxford, patentear o primeiro saca-rolhas em T.

Fita métrica de enrolar

James Chesterman desenvolveu um processo que torna o metal plano, fino, maleável e resistente, muito usado nas primeiras décadas do século 19 para armar as saias das mulheres. A invenção, contudo, perdeu a utilidade quando as modas mudaram, ficando este inglês sem saber o que fazer com a enorme quantidade de fita de metal armazenada. Teve, então, a ideia de marcar um dos lados das fitas com medidas, guardando-as numa caixinha redonda com uma manivela que permite enrolar e desenrolar a fita. A invenção foi patenteada em 1929.

Mola de roupa

A origem da mola de roupa não é totalmente conhecida, atribuindo-se com frequência a sua invenção à seita religiosa Shakers, fundada em 1772 por Ann Lee, na Inglaterra. Além de seguirem os princípios pacifistas e defenderem a igualdade de géneros, os membros desta comunidade procuravam a simplicidade em todos os aspetos do quotidiano, rejeitando qualquer objeto decorativo. A mola que inventaram era de madeira com um orifício que prendia a roupa à corda.

Tesoura

Os investigadores acreditam que as primeiras tesouras foram inventadas algures no Médio Oriente há mais de três mil anos. Os egípcios já utilizavam duas lâminas unidas por uma mola 1500 anos antes de Cristo. Entretanto, os romanos aperfeiçoaram o instrumento em ferro e bronze, por volta do ano 100 depois de Cristo. Mas foi apenas em 1761 que o inglês Robert Hinchliffe desenhou a tesoura moderna que passou a ser vendida em série para todo o mundo.

Lata de conserva

Nicolas Appert foi o cozinheiro francês que desenvolveu uma técnica em 1795 para conservar alimentos em água fervida dentro de frascos de vidro selados com rolhas e cera. A ideia surgiu depois de o governo francês oferecer uma recompensa a quem inventasse o melhor método para conservar sopas, leite ou sumos que pudessem ser consumidos pelas tropas. A invenção de Appert foi melhorada, em 1810, pelo inglês Peter Durand, que substituiu o vidro pelo estanho, dando origem aos alimentos enlatados.

Apito 

Em 1833, a polícia metropolitana de Londres lançou um concurso para selecionar o melhor instrumento que atraísse a atenção das pessoas nas ruas. Joseph Hudson, um inventor de Birmingham, ganhou essa competição com o seu ruidoso apito. Até essa altura, a polícia usava chocalhos e o apito era apenas visto como um brinquedo ou instrumento de música. Hudson também inventou o acme thunderer (apito de ervilha), o primeiro apito para árbitros de futebol, que substituiu os lenços brancos.

Palhinha

Marvin Stone era já um fabricante de cigarros de papel de Ohio, nos Estados Unidos, quando em 1888 registou a invenção da palhinha, tentado reproduzir em papel os canudos naturais de centeio habitualmente usados para beber sumos e batidos. O protótipo foi feito com tiras de papel enroladas e coladas num lápis. O papel foi revestido em parafina para não ficar molhado e acertado com o diâmetro suficientemente estreito para evitar que os caroços e as sementes pudessem entrar pelo orifício.

Canivete suíço

Karl Elsener era proprietário de uma empresa de materiais cirúrgicos antes de inventar o canivete suíço. A ideia surgiu porque não queria que o país continuasse a comprar canivetes à Alemanha. O primeiro canivete, de 1897, destinado ao exército suíço, apresentava uma versão para os soldados – com lâmina, agulha, abre-latas e chave de fendas – e outra para os oficiais, que além desses extras, tinha também um saca-rolhas e uma segunda lâmina mais pequena.

Carica 

A primeira carica, inventada pelo irlandês William Painter, em 1891, era uma cápsula de metal com a borda dentada e forrada com um disco de cortiça. A ideia foi logo um sucesso para vedar as bebidas gaseificadas, que antes eram cobertas com tampas de madeira ou cerâmica, pouco eficazes para conter o gás e o liquido das garrafas.

Garrafa térmica

O escocês James Dewar inventou, em 1822, um frasco capaz de conservar líquidos quentes ou frios. Como físico e químico que era, a invenção tinha como objetivo manter soluções químicas a altas ou baixas temperaturas, mas acabou por ser também de grande utilidade para o uso do dia-a-dia. A garrafa de Dewar pode ser de vidro ou de metal e tem uma dupla camada selada no gargalo. No intervalo entre as duas camadas, o ar não circula, impedido assim as variações de temperatura.

Colher de gelado

Sherman L. Kelly teve a ideia de desenhar uma colher para servir gelados quando passeava numa praia da Florida, algures na década de 1930, e reparou que uma funcionária de uma gelataria se esforçava demasiado para tirar pequenas porções de gelado com uma colher de sopa. A inovação de Sherman está não só no formato da concha, proporcionado uma colherada perfeita, mas também na pega contendo um fluído que aquece a palma da mão. Além de ergonómica e inquebrável, tem um design tão sofisticado que ganhou um lugar de honra no MoMA, museu de arte moderna de Nova Iorque.

Carrinho de supermercado

Sylvan N. Goldmam era proprietário da rede de supermercados Piggly-Wiggly na cidade de Oklahoma (Estados Unidos) e Fred Young era mecânico. Juntos construíram, em 1937, o primeiro carrinho de supermercado. Usaram grades de metal e rodinhas e anunciaram que ninguém mais precisaria de carregar as compras em cestas. A ideia, contudo, levou algum tempo a tornar-se popular. Sylvan e Fred criaram outros modelos e fizeram centenas de demonstrações da utilidade do carrinho até ficarem finalmente multimilionários com a sua invenção.
 

Tupperware

As caixas de plástico mais famosas no Ocidente são uma invenção de Earl Silas Tupper, que na década de 40 usou o politeno –, material para proteger os fios elétricos – desenvolvendo assim uma versão melhorada do plástico. A este método, o americano acrescentou um novo processo de molde por injeção e uma tampa hermética. O sucesso de vendas, todavia, não teve a ver só com o produto, mas com a estratégia de vendas à volta do Tupperware. Em vez de serem vendidas em lojas, as caixinhas eram distribuídas por mulheres que promoviam as famosas reuniões de Tupperware nos lares americanos.

Fontes consultadas: 

Infopédia | Asia Recipe | Sociedade da Mesa | Toolbarn.com | Wikipédia | Mega Curioso | Mundo Estranho | Mundo dos Canivetes | Papo de bar | Explicatorium

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um Comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here

A não perder

Qual é coisa, qual é ela?

As adivinhas fazem parte da tradição oral. Os mais velhos contaram aos mais novos e os mais novos não as deixaram morrer.