Agora que estamos quase todo o tempo em casa, é bem provável que os feitios de cada um saltem mais à vista. Ou é um que está sempre a suspirar ou outro que não se cansa de refilar. Há quem raramente perca a compostura e quem já acorde de cara feia. Ou quem ache que tudo vai correr bem e quem julgue que alguma coisa pode correr mal.

Sejam estas ou outras particularidades, haverá sempre alguém com um temperamento mais *especial (*tradução: nuns casos tramado, noutros, justamente o contrário). OK, isso pode até ter um fundo de verdade, mas porque raio há feitios tão diferentes? – perguntarão os tais com o feitio mais especial. A resposta é tão simples que muitos ficarão desiludidos: os humanos não são robôs programados para agir e reagir sempre da mesma maneira.

Cada um é uma mistura única dos genes que vieram da família e das histórias que viveu em casa, na escola, com os amigos e em todos os lugares por onde passou. Não há, portanto, duas pessoas iguais. Tal como não há também dois flocos de neve iguais.

Somos diferentes não só no feitio como também nos humores, que mudam, por vezes, sem percebermos porquê. Temos todos dias bons, dias maus e dias assim-assim. Mas todos – todos mesmo – gostam de rir – uns mais e outros menos -, todos gostam de comer coisas boas – uns mais e outros menos.

E todos, todos mesmo, gostam que alguém goste de nós – uns mais e outros mais ainda.

Nestes tempos de isolamento, sejamos, por isso, mais pacientes com os feitios de cada um. Mas também mais esforçados para que o nosso feitio não vire uns contra os outros. Afinal, estamos agora todos juntos. Tal como estaremos juntos depois.

Descobre quem é teu companheiro neste isolamento.

A popósito deste isolamento, será que já leste este artigo: «Quantos animais passeiam nas nossas cidades desertas?»