Se um dia o homem usasse a engenharia para retirar todo o sal do mar precisaria de muito espaço para o armazenar. Esse sal, espalhado uniformemente pela a superfície da Terra, daria, segundo o National Ocean Service, para formar uma camada com mais de 166 metros de espessura, o suficiente para atingir a altura de um edifício de 40 andares.

A água do mar tem em média 35 gramas de sal por cada litro. Tomando como referência essa proporção e, multiplicando esse valor pelos cerca de 1,3 mil milhões de quilómetros cúbicos de água que enchem os oceanos, o resultado é aproximadamente 50 triliões de toneladas de sal. A concentração média de sal no mar (salinidade) não invalida, contudo, que, em alguns lugares, os valores possam variar.

Junto aos polos, por exemplo, a salinidade é mais baixa por causa do degelo. No mar Morto, essa concentração chega a 300 gramas por litro.

E quem julga que esta é a água mais salgada do planeta, é porque ainda não ouviu falar do lago Dom Juan. Encaixado nos vales secos do noroeste da Antártida, tem dezoito vezes mais sal do que a água dos oceanos e quase o dobro do mar Morto: um litro dessa água contém cerca de meio quilo de sal, tornando qualquer forma de vida impossível.

 O princípio do princípio

 O cloreto e o sódio são 85% de todos os iões dissolvidos na água do mar. 

E de onde vem tanto sal? A resposta rápida e simples é que vem das rochas, mas para perceber como foi parar aos oceanos será preciso, primeiro que tudo, viajar até ao princípio dos princípios, quando a terra, há 4,5 mil milhões de anos, era um lugar a ferver de fogo e lava.

Nesses tempos, gigantescas nuvens de vapor foram libertadas pelos vulcões, acumulando-se na atmosfera. A temperatura do planeta começou a baixar e o vapor foi condensando, dando origem a longos períodos de precipitação.

A chuva intensa que caiu sobre o planeta provocou a erosão das rochas, retirando-lhes os sais e outros minerais que foram arrastados pelas correntes, até se acumularem nas depressões mais fundas do planeta. Ali ficaram retidos e concentrados.

Esse é, aliás, o fenómeno que se repete todos os dias durante o processo de erosão provocado pelas chuvas ou pelo desgaste que o mar exerce sobre as rochas. Mas os principais responsáveis pela salinidade dos oceanos são os rios que, na sua água doce, conduzem os minerais até ao mar.

Os sais transportados pelos rios e pela chuva desaguam nos oceanos na forma de iões, ou seja, átomos que ganham ou perdem elétrones durante uma reação. O cloreto e o sódio – o nome que a química deu ao sal de cozinha –, representam cerca de 85% de todos os iões dissolvidos na água do mar, mas não estão sozinhos. Nos oceanos estão mergulhados pelo menos 89 elementos químicos, a grande maioria em concentrações muito fracas.

Além do cloreto de sódio, a água do mar também contém cloreto de magnésio, bicarbonato de cálcio, ouro e muito, muito mais.

Percebendo a importância que o ciclo da água tem na salinidade dos mares, há uma dúvida que pode ainda inquietar alguns leitores: porque é que a chuva não é salgada, já que 84% do total da água evaporada sai dos oceanos? O sal fica no mar, enquanto a água sobe lentamente para a atmosfera.

Lá onde o mar encontra o rio

 Quando a água salgada se encontra com a água doce, há uma explosão de energia. 

Assim à primeira vista, esse sal retido no mar pouca serventia tem. Já sabemos que não mata a sede e é muitíssimo mais do que algum dia precisaríamos para temperar todos os tachos, panelas e frigideiras deste mundo. A utilidade do mar salgado, todavia, vai muito além disso. O sal do mar e o doce dos rios são poderosos quando se juntam. A água salgada ao se encontrar com a sua velha companheira, a água doce, origina uma explosão de energia capaz de compensar todas as perdas que a natureza provocou ao separar a água dos solos.

Nas águas com diferentes concentrações de sal, esconde-se uma fonte de energia, que desperta agora o interesse dos cientistas.

A potência gerada pela junção dos mares e dos rios, nos estuários, nas fozes ou nos oceanos, pode vir a ser, muito provavelmente, a energia do futuro, tal como já acontece com o vento, as ondas do mar ou os raios solares, transformados em energias limpas.

A água doce, ao correr para o lado da salgada, cria uma pressão contínua que poderá vir a ser usada para pôr os reatores a funcionar e gerar energia. Os cientistas acreditam que investir nessa solução pode ser mais compensador do que outras alternativas já conhecidas. A energia gerada na confluência da água doce e da água salgada pode, segundo a Penn State University satisfazer até 40% das necessidades mundiais de eletricidade.

O sabor do sal

 O sal emite um poderoso ião negativo que ajuda a neutralizar a poluição. 

Não é à toa que o sal é tão importante. Na Antiguidade serviu para conservar alimentos e no Império Romano foi moeda de troca, estando até na origem da palavra salário. Ainda hoje é valorizado por algumas culturas como a japonesa. Tomar um banho com sal grosso é, só para citar um exemplo, um costume popular no Japão.

Um punhado de sal grosso na banheira reduz a condutividade térmica da água quente, deixando não só a pele suave, como fazendo também as ansiedades, o cansaço ou as irritações do dia-a-dia desaparecerem pelo ralo da banheira.

Há quem julgue serem crendices com pouco valor científico, mas os próprios investigadores já reconheceram que o cristal do sal emite um poderoso ião negativo, sobretudo junto das matas, florestas, quedas de água e praias que ajuda a neutralizar a poluição.

Essa característica deve-se ao comprimento de onda eletromagnética contido no cristal do sal com um forte poder purificador que o povo japonês usa em abundância para limpar o ambiente e reequilibrar as energias dentro de casa. Se, por fim, fizermos os cálculos ao que o sal faz todos os dias pela nossa existência, o seu valor, apesar de ninguém dar conta, é incalculável.

É evidente que, consumido em excesso, provoca tensão alta, insuficiência renal ou ataques cardíacos.

Mas viver sem sal é igualmente um perigo. Basta aliás examinar uma parte ínfima do nosso corpo para compreender a sua importância. A transmissão de impulsos nervosos (sinais enviados de neurónios para neurónios e células) é conseguido pelos movimentos de iões de sódio e de potássio presentes nas membranas celulares. O sal regula também a pressão arterial e, ao transportar glicose nas células, torna-se fundamental para o metabolismo celular.

E os iões de cloreto, que tomam a forma de ácido clorídrico nos sucos gástricos libertados pelo estômago, são igualmente importantes para a digestão. Ou seja, sem o sal não é só a vida que perde sabor, é a nossa própria existência que se dissolve.

Tabela do sal

Há muitos tipos de sal, os mais comuns são o marinho, retirado através da evaporação da água do mar, e o sal-gema, extraído das minas subterrâneas formadas por lagos e mares extintos. Aqui fica uma lista com alguns dos mais populares.

SAL ROSA Extraído das salinas dos Himalaias, tem 84 minerais importantes para o corpo humano. Contém o mais alto grau de sal natural integral e as suas propriedades previnem a pressão alta e o envelhecimento. Regulam também o teor de água no organismo e atuam na manutenção das hormonas da tiroide.
SAL DO PERU Produzido nas Salineras de Maras, o sal do Peru tem origem num oceano muito antigo que secou, aprisionando os cristais de sal nos subterrâneos das montanhas, no Vale Sagrado dos Incas. É extraído manualmente, tem uma coloração rosa e um sabor intenso.
SAL NEGRO É também extraído nos Himalaias. O mais conhecido é o kala namak, uma variedade indiana de sal de pedra vulcânica, misturada com ervas e frutas da região. Conhecido pelos benefícios para a saúde gastrointestinal, é valorizado pela medicina ayurvédica – sistema medicinal indiano com cerca de cinco mil anos.
SAL MARINHO Obtido a partir da evaporação da água retida nas salinas, não contém aditivos químicos, mantendo todos os minerais e nutrientes. A OMS recomenda uma colher de chá rasa/dia (5 gramas para adultos e 3 gramas para crianças), podendo essa quantidade ser excessiva para adultos com mais de 50 anos e histórico de doenças cardiovasculares.
SAL MALDON Colhido no sul da Inglaterra desde o século 11, é produzido através da evaporação de água em recipientes aquecidos. Conhecido como o sal usado pela família real britânica, é mais crocante e resistente à humidade dos alimentos do que a flor de sal. Uma vez que é mais intenso, o recomendável é reduzir a sua quantidade.
FLOR DE SAL Necessita de sol e vento em abundância. É um aglomerado de cristais que se forma à superfície e que tem de ser cuidadosamente removido para não se afundar. Em cada 80 kg sal, só se consegue extrair 1 kg de flor de sal. A sua produção é feita em muitas regiões do mundo, as mais conhecidas são Guérande (França) e Algarve (Portugal).
SAL GROSSO No essencial, é um sal marinho, mas com uma granulação mais rugosa. Comparado com o sal refinado, salga e desidrata menos os alimentos, além de preservar os nutrientes de origem.
SAL LIGHT Composto de 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio, costuma ser recomendado aos que sofrem de hipertensão. Devido ao alto teor de potássio é, contudo, desaconselhado a quem sofre de doenças renais.
SAL REFINADO É obtido, tal como sal marinho, através da evaporação da água do mar, mas passa por um processo de refinamento e branqueamento que lhe retira uma grande quantidade de minerais, permanecendo como uma elevada percentagem de sódio.
SAL DEFUMADO Há muitos tipos de sais defumados, mas os mais afamados são os franceses. A extração assemelha-se ao processo que ocorre com a flor de sal mas, depois de removido, é defumado com barris de carvalho usados no envelhecimento do vinho Chardonnay.
GERSAL Famoso na cozinha macrobiótica, o gersal é a mistura de sal refinado com sementes de sésamo torradas e moídas. O sésamo é uma boa fonte de proteína, cálcio e gordura insaturada, que contribui para a manutenção dos níveis normais de colesterol no sangue.
SAL HAVAIANO Tem uma coloração avermelhada por causa da presença de uma argila havaiana chamada Alaea, rica em dióxido de ferro. Não é refinado e possui a mesma quantidade de sódio dos sais comuns, recomendando-se por isso moderação.

Este tema só fica completo com a leitura de: 

Quanta água doce há na terra?

Fontes consultadas:

U.S. Geological Survey | Sal dinâmico, de Jérôme-Cecil Auffret | PennSateNews | National Ocean Service | Saúde | Megacurioso |