Facto científico: os vírus são os micróbios mais abundantes do planeta, chegando a ser até mais diversificados do que bactérias, fungos, plantas e animais juntos. Só por isso, já dá para perceber que os números são monstruosos. Não conseguimos vê-los ou senti-los, mas eles estão por todo o lado. Descem dos céus, viajam nas correntes de ar e caem aos trambolhões aqui na superfície terrestre. São qualquer coisa a rondar os 800 milhões por metro quadrado por dia, segundo as estimativas dos investigadores.

Se alguém os enfileirasse a todos numa única linha, eles percorriam 100 milhões de anos-luz. E, se quisermos capturá-los numa colher de sopa cheia de água do mar, seriam mais do que todos os habitantes a viver na Europa. Nos oceanos, aliás, vivem cerca de 10 milhões de vezes mais vírus do que estrelas no universo.

É de cortar a respiração, mas não é caso para desatar a desinfestar tudo à volta. Os vírus vivem na Terra desde o princípio e não foi por isso que a humanidade acabou. Boa parte deles, aliás, está no nosso ADN. Cerca de oito por cento do genoma humano é de origem viral. Isto é, vírus antigos que nos infetaram e nos permitiram desenvolver anticorpos capazes de os tolerar.

Os bons e os maus

 Nem todos os vírus são maus. Muitos combatem organismos prejudiciais à saúde humana. 

Os cientistas desconfiam que eles até estão entre os responsáveis por criar a vida celular, fenómeno que deu origem a todas as formas de vida existentes no planeta. Apesar de, nestes tempos que correm, estarmos todos apreensivos com a propagação do novo coronavírus, é preciso não esquecer que nem todos são maus. Muitos estão mesmo do nosso lado, infetando organismos prejudiciais à saúde dos humanos. Outros são conhecidos por acelerar a captação de carbono das algas oceânicas, que purificam o ar que respiramos.

Já todos sabemos que não há um único tipo de vírus. Há uma infinidade deles, agrupados por classes, famílias, géneros ou espécies. A única coisa em comum à esmagadora maioria é serem minúsculos. O SARS-COV-2 (coronavírus 2) tem, por exemplo, 120 nanómetros de largura. Um glóbulo vermelho humano, por comparação, é 64 vezes maior do que ele.

Quanto mede 1 nanómetro?

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1 nanómetro corresponde a um milionésimo de milímetro e tem como símbolo nm.

Sendo assim tão pequeninos, como é que alguns são ferozes ao ponto de provocarem pandemias como esta que suspendeu ligações aéreas, fechou escolas, encerrou espaços públicos, cancelou festas e adiou abraços? O principal motivo é que eles são muito rápidos não só a viajar de um lado para o outro – à boleia de hospedeiros e das gotículas que eles soltam ao tossir ou espirrar -, como também a sofrerem mutações para se adaptarem a todo o tipo de ambientes. É por isso que estão em toda a parte: nos oceanos, em qualquer superfície da Terra e na atmosfera.

Atacar sem danos colaterais

 Os medicamentos eficazes são os que atacam o vírus sem provocarem estragos nas células. 

A juntar a tudo isto está o desafio de a medicina conseguir combater os vírus nocivos à saúde em tempo real e sem causar danos colaterais. Para se reproduzirem, eles precisam, antes de mais, de invadir as células e sequestrarem a sua maquinaria. Só então começam a fabricar os seus próprios clones. Os medicamentos antivirais eficazes são os que atacam o vírus sem provocarem estragos nas células. Para o Covid 19 (a infeção provocada pelo SARS-COV-2), o que os cientistas estão a estudar é uma maneira de impedir o vírus de copiar o nosso material genético para se reproduzirem. Precisam de enganar os vírus, mas não as células.

Encontrar uma vacina capaz de treinar o sistema imunológico para detetar e combater o vírus antes da infeção ocorrer é o grande objetivo. Mas é também uma missão que leva tempo. São precisos muitos e demorados testes para garantir a segurança da população. E os vírus, sempre em constante mutação, não esperam pelos resultados. As vacinas da gripe, por exemplo, têm de ser, todos os anos, atualizadas para tentarem acompanhar essas mudanças.

A lentidão dos anticorpos

 Quando o sistema imunitário desenvolve as defesas, já o vírus está na fase de declínio. 

Há ainda um outro problema, que é o vírus conseguir ser mais rápido que os anticorpos produzidos pelo nosso organismo. Ou seja, quando o sistema imunitário desenvolve as defesas necessárias, já o vírus está na fase de declínio e infetou, entretanto, muita gente à volta. Sintomas como febre, dores no corpo ou garganta inflamada são, na verdade, sinais de que o corpo está a reagir ao vírus. Mas, é só nessa altura que tomamos precauções para não contagiar ninguém.

Até agora, a melhor maneira de combater os vírus é prevenir as infeções. Em grandes surtos como este, as quarentenas, o distanciamento social e o reforço na limpeza e higiene pessoal são as armas que temos. Pode parecer pouco numa era em que as tecnologias e a medicina já alcançaram feitos incríveis. Mas não menosprezemos o poder da água e do sabão numa lavagem de 20 segundos.

Arma secreta para destruir o vírus

 Água e sabão é o que basta para desintegrar e tornar o vírus inativo. 

O sabão é o ponto fraco da maioria dos vírus, entre os quais do coronavírus 2 (SARS-COV-2). É claro que desinfetantes, géis e outros produtos que contêm álcool também funcionam. Mas são necessárias altas percentagens de etanol (entre 60% e 80%) para arrumar de vez com eles.

É tão mais fácil usar sabão e água. Sabem porquê? Boa parte da composição de um vírus não passa de gordura. Essa é a característica que lhe permite grudar na pele ou em superfícies e manter-se ativo durante dias. Água e sabão são, portanto, o que basta para desfazer a sua membrana adiposa, desintegrá-lo e torná-lo inativo. Só não podemos dizer que está morto porque os cientistas não os consideram seres vivos. Para isso, teriam de se reproduzir por conta própria. Mas, aqui entre nós, que se lixem os termos científicos. O que interessa é que o vírus está morto.

Por falar em seres minúsculos, sabes por acaso «Quantos insetos existem no planeta?»

Fontes consultadas: Vox | BBC | The Jakarta Post | UBC Science | Nature Reviews Microbiology | The Guardian |