Perguntas são como um estalido de uma chave a abrir o trinco da porta, mostrando caminhos que nem se desconfiava existirem. É como içar a vela de um navio e partir à descoberta no mar-alto, sem saber para onde se vai. Quanto mais desconhecido é o oceano, mais vontade em avançar, tal qual os exploradores à procura de novos lugares.

A graça disto tudo é que as boas perguntas podem vir de qualquer um. De um filósofo, que ganha a vida a fazer perguntas, de uma criança ao querer saber porque é o céu azul ou porque é o mar salgado, ou então de um cientista que não sossega enquanto não descobre a origem de tudo.

Não haveria grandes descobertas e nunca se chegaria a lado nenhum sem perguntas. A história das ciências está cheia de casos de como uma única pergunta, nunca feita, foi capaz de permitir avanços enormes na física, na biologia, na medicina, na psicologia ou na geografia.

Há sempre um curioso por detrás de cada pergunta. Se fosse preciso traçar o percurso do conhecimento, poder-se-ia dizer que a curiosidade é o interruptor, a pergunta é a corrente elétrica e a resposta é a lâmpada que se acende, mostrando coisas que não conhecíamos sobre nós, sobre os outros ou até lugares e sentimentos inesperados.

Há muitos tipos de perguntas, tantos que quem se atrever a fazer uma lista corre o risco de esquecer algumas ou mesmo muitas perguntas que se fazem todos os dias ou só de vez em quando. Ainda assim, O Bicho-Que-Morde selecionou uns quantos tipos de perguntas que estão entre os mais importantes para ele, não quer dizer que não haja mais e até mais importantes para outros.

Perguntas Pingue-pongue

Perguntas de pescadinha de rabo na boca (ou bola pingue-pongue)

Uma pergunta, traz uma resposta que logo a seguir precisa de outra pergunta. E, depois dessa pergunta, mais uma resposta com outra pergunta que tem mais uma resposta com outra pergunta. Como uma bola de pingue-pongue a saltar de um lado para outro da mesa até se chegar a uma resposta que completa finalmente todas as perguntas… até à próxima pergunta.

Alvo perguntas certeiras

Perguntas certeiras

Fazer perguntas após perguntas sem pensar nas respostas é tontice, mas se a cada 3 ou 4 perguntas há uma que nos faz pensar já valeu a pena. Às vezes são precisas algumas ou muitas perguntas para se fazer finalmente a pergunta certa – aquela que nos põe a pensar como nunca pensamos antes nessa pergunta. É como se tivéssemos primeiro de subir dois degraus, descer dois e voltar a subir mais um para chegar onde queremos. Perguntas certeiras podem demorar, recuar, avançar, andar às voltas até que … zás!

Perguntas escorregadias

Nem todas as perguntas têm ou precisam sequer de uma resposta do tipo sim ou não, bom ou mau, certo ou errado. Se todas as respostas fossem diretas, qual era a piada desta vida? Em alguns casos, há diferentes respostas para a mesma pergunta. A resposta certa para uns não é para outros. Depende de muita coisa, do país em que se nasceu, da religião em que se acredita, dos gostos ou da idade só para citar alguns exemplos.

Perguntas revolucionárias

Uma pergunta tem o poder de desarrumar as ideias, deixando-nos confusos.  Ficamos na dúvida, o que nem sempre é confortável. Às vezes andamos convencidos de que temos as respostas certas até um dia alguém fazer uma pergunta  – e é o suficiente para começarmos a perguntar se, afinal, temos assim tanta a certeza das respostas que damos como certas.

Perguntas destemidas

Quem tem medo das perguntas parvas? A pergunta está mal feita, mas é de propósito. Não há perguntas parvas; parvo é o medo de que a pergunta seja parva. E quem tem medo fica mais parvo e sem saber. O medo das perguntas parvas é algo que, em muitos casos, cresce com a idade. As crianças não têm medo, perguntam e pronto. Os adultos deviam aprender com elas.

 

Perguntas sonhadoras

Sabemos bem que não somos pássaros, duendes ou super-heróis. Sabemos que, na vida real, os desejos não acontecem num perlimpimpim e os problemas não desaparecem com um abracadabra. Será isso motivo para impedir de, pelo menos, perguntar como seria se um dia acordássemos e pudéssemos viver todas as fantasias? É sempre bom ter um plano de retaguarda, nunca se sabe. Imagina que acordas uma manhã destas e, em vez de braços tens um par de asas. Para onde voarias? Ou então um superpoder, um qualquer à tua escolha. Qual seria e como o usarias? E, mais incrível ainda: se pudesses ser invisível por um dia o que farias? E para onde irias se pudesses viajar no tempo?

Perguntas empáticas

Quando perguntamos a alguém o que é que se passa com ela, não ficamos apenas a saber o que tem ela, mas passamos também a imaginar e, muitas vezes, a sentir o que ele sente. A empatia é a capacidade que todos temos de nos colocar no lugar do outro. A tristeza de um amigo torna-se a nossa tristeza e o mesmo acontece com a alegria. É como despir a nossa pele e vestir a pele dos outros, descobrindo o que estava fora e passou para dentro de nós. Como será a vida de uma pessoa cega? E como é que brincam as crianças que não têm brinquedos? Ou como é ter uma doença que obriga a passar os dias num hospital? Essas são algumas perguntas que despertam um dos maiores poderes da humanidade: a solidariedade, a energia gigante para mudar o mundo.

Perguntas introspetivas

Introspeção é daquelas palavras complicadas que se engasgam na garganta, mas é muito mais do que isso. Significa afastar tudo o que nos rodeia para entrar na nossa própria cabeça e fazer as perguntas que nos ajudam a conhecer melhor. Andamos tão entretidos com o que se passa lá fora, que esquecemos de olhar para dentro. E no nosso interior é que estão as perguntas mais difíceis, mas também das mais interessantes e as que nos tornam mais fortes.  Experimenta fazer a ti próprio as perguntas que, por algum motivo, nunca tens tempo para fazer. De que tenho mais medo? Porquê? Gostas mais de estar sozinho/a ou com muita gente à volta? Por que tens medo de errar? Qual a coisa mais corajosa que já fizeste?

Perguntas silenciosas

Por fim, as perguntas não precisam sequer de sair pela boca, não precisam de estarem escritas, nem que alguém mais as escute. «Será que…?», «E se…?», «Como é que…?». Chega para parar, pensar e procurar uma resposta nos livros, dentro de nós ou junto de alguém. Antes de terminar, convém só acrescentar que, por mais perguntas que façamos, nunca são demais para os mistérios deste mundo e do universo . Não desistam, por isso, de fazer perguntas. 😏🤓🤔 

Porque muitas vezes uma pergunta parva é a melhor de todas, lê também: Por que choramos?