Quem tem uma árvore centenária na sua terra tem tudo. Tem passado que nunca se esquece. Histórias que não acabam. Pontos de encontro para todos os dias. E legado para deixar. Estas são algumas (só algumas!) que enchem de orgulho cidades, vilas e povoações portuguesas. Vale bem pena uma viagem só para conhecê-las.

A mais antiga

Localização: Cascalhos (freguesia de Mouriscas), Abrantes
Espécie: olea europea l. var. europaea
Idade: 3350 anos
Altura: 3,2 m (do tronco às primeiras pernadas)

História: ponto de encontro dos pescadores que dali partiam para as embarcações e seguiam para os mouchões do Tejo, daí o seu nome. É a mais antiga árvore em Portugal, contemporânea de Moisés e de Nefertiti, que certamente ofereceu sombra a fenícios, celtiberos, romanos, mouros ou cristãos.

A que jamais morrerá

Localização: Mosteiro, freguesia e concelho de Castro Daire
Espécie: carvalho-roble ou carvalho-alvarinho ( Quercus robur L.)
Idade: exemplar milenar, sem idade certificada.
Altura: 7 m

História: está junto da Capela de Nossa Senhora do Presépio onde, segundo a tradição, descansavam e rezavam os monges-guerreiros dos Templários. Este carvalho tombou e morreu no temporal de 15 de outubro de 1987. Nesse mesmo ano, foi plantado, no interior do seu casco, outro carvalho, mantendo viva a sua memória.

Carvalho do Presépio

A mais corpulenta

Localização: Quinta da Parra (freguesia de Moncarapacho), Olhão
Espécie: Ceratonia siliqua L.
Idade: 600 anos
Altura: 14 m

História: é a maior alfarrobeira do país e está também entre as quatro árvores mais grossas identificadas em território nacional. Encontra-se no pomar de laranjas da quinta de José Martim Dias. Tem mais de seis séculos, mas continua a dar alfarrobas, apanhadas em fins de agosto e antes das primeiras chuvas.

Sobreiro Assobiador

A mais melodiosa

Localização: Águas de Moura (freguesia de Marateca), Palmela
Espécie: Quercus suber L.
Idade estimada: 234 anos
Altura: 16 m

História: é conhecido como o sobreiro mais produtivo do mundo, já foi descortiçado mais de 20 vezes desde 1820. A última extração, feita em 1991, resultou 1.200 kg de cortiça. Tem o nome de assobiador por causa da chilreada dos pássaros que ali regressam aos finais de tarde. Na aldeia também o chamam de casamenteiro, dado que muitos dos beijos ali trocados deram em casamentos. Escapou por um triz ao abate ocorrido no ano 2000. Infelizmente, os outros 401 exemplares – muitos deles centenários – não tiveram a mesma sorte.

Freixo da Lourinhã

A mais lendária

Localização: Quinta da Fonte Real (freguesia de S. Bartolomeu dos Galegos), Lourinhã
Espécie: Fraxinus angustifolia Vahl
Idade estimada: 700 anos
Altura: 13 m

História: quando vinha das caçadas, lá para os lados da Serra D’El Rei, D. Pedro parava junto a esta árvore para se refrescar e dar de beber aos cavalos na nascente que ali se encontra. Seguia depois para junto do seu amor, D. Inês de Castro. Se é verdade ou lenda popular está ainda por apurar, mas o que importa isso?

Pinheiro Rastejante do Litoral Interior

A mais esquisita

Localização: Mata Nacional de Leiria (freguesia e concelho de Marinha Grande)
Espécie: Pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton)
Idade estimada: 100 anos
Altura: 10 m

História: a maresia do Atlântico obrigou-os a rastejar, ganhando, por isso, também o nome de serpentes. Tirando a forma retorcida, são pinheiros bravos como todos os outros. Muitos deles estão na lista de árvores monumentais e de interesse nacional. É o caso do exemplar da Mata de Leiria. Não é a sua altura que impressiona, mas sim as pernadas que chegam a rastejar por mais de 260 m2, segundo a ficha do ICNF.

 

Cipreste-do-Buçaco

A mais paciente

Localização: Jardim França Borges – Príncipe Real (freguesia da Misericórida), Lisboa
Espécie: Cupressus lusitanica Miller
Idade: 148 anos
Diâmetro: 20 m | Copa: 25 m

História: muito tem sofrido o cipreste (ou cedro) do Jardim do Príncipe Real, no centro de Lisboa. Foi a primeira árvore classificada de interesse público, em 1940. Por três vezes lhe pegaram fogo, o caso mais recente aconteceu em 2016. A idade centenária já lhe pesa também na hora de resistir aos caprichos dos visitantes que, ignorando os avisos e a vedação, trepam as suas pernadas à procura da melhor selfie ou de diversão.

Castanheiro de Guilhefonso

A mais carinhosa

Localização: aldeia de Guilhafonso (freguesia de Pêra do Moço), Guarda
Espécie: Castanea sativa Miller
Idade estimada: 400 anos
Altura: 19 m | Tronco: 9,60 m | Copa: 25,5 m

História: é tão grande esta árvore que os habitantes da aldeia de Guilhafonso dizem serem precisas nove pessoas para conseguirem abraçá-la. Contam os mais velhos que o seu porte gigante aconteceu depois de dois troncos de castanheiros se envolverem um no outro. Está classificada desde 1971 e é considerada a maior da sua espécie na Europa. Ela impressiona em qualquer altura do ano, mas, é na época das castanhas, no outono, que fica ainda mais bonita.

Carvalho da Forca

A mais dramática

Localização: largo em frente aos Paços do Concelho (freguesia e concelho de Montalegre)
Espécie: Quercus robur L.
Idade estimada: 300 anos
Altura: 12 m | Copa: 9,60 m

História: o carvalho ganhou este nome sinistro em setembro 1844, quando o último condenado à morte em Montalegre foi ali enforcado.

Ulmeiro da Sobreira Formosa

A mais útil

Localização: praça do Comércio (freguesia de Sobreira Formosa), Proença-a-Nova
Espécie: Ulmus minor
Idade: 145
Altura: 30 m

História: plantado há cerca de 145 anos por João Luís Grilo, um ilustre da terra, estas espécies já foram muito usadas em jardins portugueses. São árvores floridas que, embora escassas, podem dar frutos secos. A sua madeira é muito valorizada para o fabrico de móveis e até para fins navais.

Nogueira do Paçó

A mais protegida

Localização: Quintela (freguesia de Paçó), Vinhais
Espécie: Juglans regia L.
Idade estimada: 300 anos
Altura: 13,9 m | diâmetro da copa: 19,30 m

História: é a árvore com maior perímetro do tronco medido (8.85m), até ao momento, em Portugal. Está protegida por uma cerca, uma vez que se encontra num campo de pastagens e vulnerável a danos provocados pelo gado.

Eucalipto de Contige

A mais alta

Localização: Sátão (freguesia e concelho)
Espécie: Eucalyptus globulus Labill
Idade estimada: 120 anos
Altura: 46 metros |Diâmetro da copa: 34 metros

História: nem todos os eucaliptos são considerados os maus da fita dos incêndios florestais. Alguns estão classificados, como é o caso do eucalipto de Contige, um dos maiores em Portugal. A árvore encontrava-se nas terras de Luiz Xavier do Amaral Carvalho, jurista e deputado das cortes. Os terrenos foram-lhe expropriados para se construir a Estrada Nacional 229, que liga Viseu a Sátão. Por ter um porte imponente e invulgar, esta espécie foi poupada ao abate.

 

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